DIREITOS HUMANOS ALEGA QUE ESTÃO TRATANDO MENOR INFRATOR COMO BANDIDO EM
ALAGOAS.
Designada pelo
governador Teotonio Vilela Filho em decreto publicado no último dia 14, uma
comissão presidida pelo Superintendente Geral de Administração Penitenciária
(Sgap), tenente-coronel Carlos Luna, passou a gerenciar temporariamente as
unidades do Núcleo Estadual de Atendimento Sócio Educativo (Neas), que abriga
aproximadamente 225 menores infratores, retirando essa atribuição da Secretaria
de Estado da Paz (Sepaz).
A medida, que é
temporária, causou reações nas entidades representativas dos direitos humanos
em Alagoas, que qualificam a transferência do Núcleo Estadual de Atendimento
Sócio Educativo (Neas) como uma afronta aos direitos humanos e ao Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA).
A polêmica foi
pauta de uma reunião entre o secretário de Defesa Social, coronel Dário César,
e o Conselho Estadual de Direitos Humanos esta semana.
O coronel tentou
tranqüilizar os integrantes do colegiado, mas a incerteza de quem gerenciará o
Neas, não conseguiu acalmar os ânimos.
“Não se pode tratar
menor infrator com as mesmas regras com que se trata um maior de idade que
cometeu um crime”.
“É absurdo colocar
menores para serem gerenciados pelo Sistema Prisional”, disse o presidente do
Conselho Estadual de Direitos Humanos, Fernando Teles.
“Somos favoráveis a
uma política de ordenamento disciplinar, claro, mas não se pode submeter os
menores a uma disciplina militar.
Estão tratando
menor infrator como bandido”, disse o presidente do Conselho de Direitos
Humanos estadual”.
Em uma das últimas
rebeliões na Unidade de Internação Masculina (UIM), o BOPE foi acionado para
conter os internos.
Para o presidente
da Comissão de Direitos Humanos da Seccional Alagoana da Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB/AL), Daniel Nunes, a transferência de responsabilidade dos menores
infratores para a Secretaria de Defesa Social fere o Estatuto da Criança e do
Adolescente.
“O Estatuto
preconiza uma diferenciação no tratamento de crianças infratoras. Essa comissão
é provisória, mas não se tem definido com quem ficará essa atribuição”.
Os menores não
podem passar a ser gerenciados pelo sistema prisional. Isso afronta os direitos
humanos e toda uma política de avanço no tratamento dispensado ao menor
infrator, quando se trabalha para melhorar a ressocialização desses menores.
Antes o gerenciamento era da Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos, e
agora passou para o Sistema Prisional, não tem lógica”, afirma Daniel.
De acordo com a
assessoria de comunicação da Secretaria de Defesa Social, a transferência é
provisória e tem o caráter de normalizar o funcionamento das unidades
pertencentes ao Neas, diante dos episódios de violência registrados
recentemente.
Segundo a
assessoria, a medida conseguiu seu objetivo, considerando que novas rebeliões
ou fugas não aconteceram após a medida entrar em prática.
Em outubro, a Seds
anunciou algumas medidas para o Neas, entre elas a implantação de três unidades
temporárias (totalizando 100 vagas), a reforma para ampliação física e de vagas
em todas as unidades existentes e a construção de nova unidade no complexo do
Neas, no bairro do Tabuleiro na capital Alagoana, em atendimento ao decreto de
emergência administrativa.
A comissão
presidida pelo superintendente do Sistema Prisional estabeleceu o período de 90
dias para normalizar o funcionamento do Neas, assim como, elaborar um estudo
que indique em que órgão ou entidade do Poder Executivo Estadual deverá ser
inserida a Superintendência de Proteção e Garantia em Medidas Socioeducativas e
suas unidades administrativas.
Dentro dessas medidas,
na última sexta-feira dia 29.nov.13, foi reativada a padaria do Neas, que
capacitará 24 jovens, numa ação de inclusão social.(fonte:tnh).
Nenhum comentário:
Postar um comentário