MORRE EX PRESIDENTE DA ÁFRICA DO SUL NELSON MANDELA
Mandela nasceu em 1918 e ainda criança passou pela dificuldade
de perder o pai, Henry Mandela, analfabeto e chefe da tribo Tembu, da etnia
xhosa, umas das três mais importantes da África do Sul. Embora fosse o herdeiro
da liderança tribal, Mandela decidiu renunciar e estudar no Clarkebury Training
College, onde ficou conhecido por ser um aluno inquieto, fazendo jus ao seu
verdadeiro nome, Rolihlahla, que na língua xhosa significa “criador de
problemas”.
A inquietação de Mandela continuou. Após dois anos como
estudante da universidade de Fort Hare, Mandela foi expulso por organizar um
boicote às eleições estudantis. Já em 1941, ele fugiu para Johannesburgo para
não se casar forçadamente e na cidade ingressou no curso de Direito da
Universidade da África do Sul.
Com a chegada do Partido Nacional ao poder, em 1948, entrou em
vigor na África do Sul a política de segregação racial do Apartheid.
Mandela, já advogado e com 30 anos, assumiu a liderança da
maioria negra e promoveu greves e protestos.
Defensor de um país mais igualitário, ele, junto com outros
ativistas dos direitos humanos, passou a lutar por princípios de um estado não
racial, onde a terra seria dividida entre os que nela trabalhassem.
Já em
1960, Mandela se tornou clandestino em seu próprio país. Isso ocorreu após o
massacre de Sharperville, quando diversos negros foram mortos pelas forças
nacionais de segurança por protestarem, pacificamente, contra a Lei do Passe,
que obrigava os negros sul-africanos a portar uma caderneta que dizia aonde
eles poderiam transitar.
O
massacre fez com que a política do Apartheid ganhasse
notoriedade mundial pela primeira vez.
Mandela fundou o braço armado do Congresso Nacional Africano
(CNA), então uma simples associação, passando a estimular e realizar sabotagens
em todo o país. Caçado pelas autoridades, escapou durante 18 meses,
disfarçando-se de operário, porteiro e garagista, mas sempre discursando para
pequenos grupos clandestinos. Em 1962, porém, Mandela foi capturado pelas
autoridades sul-africanas e levado para a prisão, onde, inicialmente, cumpriria
pena por cinco anos.
No ano seguinte, contudo, acabou acusado de traição e sabotagem
junto com outros líderes negros. Após o julgamento que durou sete meses, foi
condenado à prisão perpétua.
Nos 18 anos seguintes, seria o prisioneiro 46664 na prisão da
ilha de Robben, onde quebraria pedras até ser transferido para a prisão de
segurança-máxima de Pollsmoor, perto da Cidade do Cabo.
Apesar de ter suas ideias impedidas de publicação ou discussão,
a obstinação de Mandela em não renunciar a seus princípios e a longa duração de
seu cativeiro o transformaram no mais famoso preso político do mundo daquela
época.
Em 1985, ele recusou proposta do então presidente Pieter Botha,
que o pediu que condenasse o recurso à luta armada em troca de sua libertação.
Em meio a muita pressão externa, a própria minoria branca da
África do sul já acreditava que a libertação de Mandela seria a única esperança
de uma solução pacífica para os conflitos que devastavam o país.
Nesse momento, Madiba não tinha mais sua liberdade
condicionada à renúncia da luta armada e os capítulos finais da
negociação da sua soltura foram feitos por fax, diretamente com Frederik de
Klerk, novo presidente sul-africano.
Finalmente, no dia 11 de fevereiro de 1990, após 27 anos, seis
meses e seis dias de reclusão, Nelson Mandela estava solto, para celebração da
população local e de ativistas de todo o planeta.
Mas, mesmo livre da prisão, ele permaneceu na sua batalha pelo
fim do Apartheid. Logo em sua primeira declaração pública, Madiba agradeceu a
todos que se esforçaram por sua libertação e reiterou que estava disposto a
morrer pelo seu ideal de luta contra a dominação branca sobre o povo negro e
pela liberdade de outros 400 presos políticos.
O ex-presidente e líder histórico da luta contra a segregação racial
da África do Sul, Nelson Mandela, morreu nesta quinta-feira, 5 de dezembro de
2013.
A notícia foi passada à nação e ao mundo pelo presidente
sul-africano, Jacob Zuma.
"Meus amigos sul-africanos, nosso amado Nelson Rolihlahla
Mandela, o presidente fundador da nossa nação democrática, foi embora. Ele
morreu em paz, na companhia da sua família, por volta das 20h50 (horário
sul-africano) neste dia 5 de dezembro", comunicou Zuma em rede nacional,
enquanto uma multidão de sul-africanos, permeada por policiais e
jornalistas, se mobilizava na frente de sua casa, à espera da notícia.
"Ele está descansando. Ele está em paz. Nossa nação perdeu seu maior
filho. Nosso povo perdeu um pai", resumiu Zuma.
Mandela tinha 95 anos e há muito lutava contra doenças
decorrentes do período em que permaneceu preso por conta de sua luta contra o
Apartheid, regime segregacionista que imperou durante décadas no seu país.
Ele passou 27 anos preso para depois se
eleger presidente da África do Sul, de 1994 a 1999. Famoso por ter
combatido o regime segregacionista do Apartheid, Madiba, como é carinhosamente
chamado pelos sul-africanos, é uma das personalidades políticas mais bem vistas
da história, clamado não só na África do Sul, mas em todo o mundo.
Durante todo o período de internação, pessoas deixavam mensagens
de apoio, flores e presentes na entrada do hospital para o considerado pai da
democracia sul-africana.
O atual presidente da África do Sul, Jacob Zuma, recorrentemente
deu declarações ao público, rendendo homenagem a Mandela e demonstrando apoio a
sua família. Primeiro presidente negro da história sul-africana, eleito em
1994, meses após o fim do Apartheid, Nelson Mandela ainda mantinha uma imagem
política muito forte no país, sendo respeitado por diversos governantes.
O processo de negociação com o Governo seria lento e exaustivo,
sendo interrompido diversas vezes, por episódios de violência extrema. Um deles
levaria Mandela a pedir a intervenção da ONU, em junho de 1992.
Nessa época, já eleito presidente do CNA, realizou viagens por
vários países, dando novas dimensões ao seu trabalho pelo fim pacífico do
regime do Apartheid e por estabelecer os princípios para uma nova África do Sul
democrática. Êxito reconhecido com a conquista do Prêmio Nobel da Paz de 1993
(dividido com de Klerk).
No dia 22 de dezembro de 1993, em sessão histórica, o Parlamento
aprova nova Constituição da África do Sul, instituindo legalmente a igualdade
racial no país, dando fim ao regime separatista.
Com a justiça feita, e o caminho livre para eleição de negros,
Nelson Mandela foi eleito presidente da África do Sul em 1994, o primeiro
presidente negro da história do país.
Seu mandato terminou em 1999, mas desde então Madiba permaneceu
sendo uma das figuras políticas mais influentes do país, status que possuía até
a sua morte. fonte:jornaldoBrasil
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